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Associado de Valor
31/10/2023



Juntos desde 1989, Marcelo Alves e António Sardinha, são os proprietários de três lojas de roupa em Bragança, que comercializam marcas de referência.

A sociedade foi constituída há 34 anos e mantém-se em crescimento desde então, mesmo enfrentando a concorrência “desleal” do mercado online.

Alertam para a necessidade da comunidade apoiar o Comércio Local e, com isso, gerar emprego e promover a sustentabilidade e desenvolvimento da própria região.

Em entrevista, Marcelo Alves, falou-nos do seu percurso comercial.

Em que ano foi fundada a empresa?

Em 1989. Começamos no edifício Translande, 1º andar, depois abrimos uma segunda loja na Av. Sá Carneiro, ao lado de onde é hoje a casa Aníbal, uma terceira loja em Mogadouro, mais tarde é que passamos para a loja onde estamos hoje, na Av. Sá Carneiro, Edifício Montesinho.

O nome da loja manteve-se ao longo dos anos?

Sim, Loucura Jovem, que é o nome da Sociedade: Loucura Jovem Pronto a Vestir Marcelo & Sardinha Lda.

Quando abriram presumo que não havia tanta concorrência como hoje?

Havia algumas lojas, mas com este tipo de roupa tão jovem, prática para o dia a dia, não.

Já existia a Levi’s e depois abriu a Radical. Na Av. Sá Carneiro fomos os primeiros a abrir uma loja de roupa.

Havia menos concorrência e mais gente?

Digo que haveria mais dinheiro, se calhar haveria. Tinhamos um leque de clientes da construção civil, que estava no auge, aos sábados só abríamos de manhã, agora abrimos de manhã e de tarde, os melhores clientes eram pessoas da construção civil, ao sábado não trabalhavam praticamente e tinham dinheiro na altura. Agora, com a inflação, com a COVID, com as guerras, com o custo de vida a aumentar as pessoas vão-se retraindo.

Qual foi o pior período que atravessaram?

Foi a crise na construção civil (crise financeira 2007-2008), o pessoal teve de procurar outros mercados, muitos emigraram para Espanha e França, perdemos uma franja importante da clientela, foi a altura que tivemos maior declínio.

Na altura da COVID também sentimos, tivemos uma pequena ajuda do Estado, quem tivesse tudo legal, claro, nós Graças a Deus temos tudo direito, e recebemos uma pequena ajuda.

Atualmente há muita concorrência online?

Sim, muita.  Falo com as pessoas que nos entregam as encomendas das transportadoras e eles dizem que vem muita mercadoria, de compras online, para Bragança e toda a região.

Vocês não trabalham essa vertente da venda online?

Não porque isso exige ter muito stock. Imagine que chega aqui que vê um casaco Tamanho S e eu tenho esse casaco já para enviar por compras online, eu prefiro vender ao cliente aqui na loja.

E as redes sociais?

Trabalhamos o Facebook, na página da loja ou até na página pessoal, e tem corrido muito bem, temos tido bons resultados, agora vendas online não porque teríamos de ter outro tipo de stock para fazer uma gestão diferente.

Quais são as marcas principais que aqui tem?

Já trabalhamos muitas, as marcas portuguesas todas.

Atualmente temos Guess, Replay, Tommy Hilfiger, Calvin klein, Fred Perry, que é uma marca que os miúdos gostam muito, António Morato, Gaudy, Geox, Pepe Jeans.

Não têm exclusividade com essas marcas, ou têm?

Antigamente tinhamos com algumas, agora trabalhamos várias marcas e temos muitos clientes que escolhem essas marcas porque sabem que têm qualidade. Claro que o preço não é baixo, também não é inacessível, temos muitos clientes que gostam de vestir uma boa marca e, claro, a roupa se tiver qualidade sentem outro conforto ao vestir.

Quando abriu o Shopping veio tirar clientela ao comércio da rua?

Não, nós também tivemos lá o Franshising da Salsa. Estivemos lá durante cinco anos. Saímos porque os custos são exorbitantes, investimos lá muito dinheiro, fizemos obras no espaço e depois tivemos de sair, era incomportável. Decidimos comprar uma loja aqui na Av. Sá Carneiro e correu bem.

A partir da Loucura Jovem cresceram imenso.

Quando abrimos a Loucura Jovem, em 1989, tínhamos a Tiffosi e a Salsa dentro da Loucura Jovem. Passados uns sete anos as marcas convidaram-nos para sermos parceiros a nível de Franshising e aceitamos. Começamos com a Salsa no Shopping, depois foi a Tiffosi, na Rua Almirante Reis, e depois acabamos por mudar as duas para a Sá Carneiro, temos agora as três lojas próximas umas das outras.

É a melhor rua para o comércio?

A baixa tem vindo a melhorar, estão a abrir loja e bares e está melhor, mas para nós a melhor é a Sá Carneiro.

Os clientes de Bragança procuram muito o comércio local ou muito o online?

Há de tudo. Eu tenho um filho, está lá para baixo e só vem ao fim-de-semana, e tento-lhe incutir que se não conseguir o produto que quer em Bragança, então que compre lá para baixo, no comércio de porta aberta, mas online não compre, porque isso gera desemprego no comércio e as pessoas, sobretudo em cidades como Bragança, vivem muito do comércio tradicional.

Eu sei que há pessoas que vão a Vila Real e a Zamora, mas pronto vão ao comércio.

Eu gostava de ter mais funcionários. O comércio tradicional é uma roda, se eu tiver mais funcionários e se lhe pagar bem vão comprar cá, vão aos restaurantes e aos outros sítios todos, é a economia local a funcionar.

Sente que as pessoas em geral têm essa perceção da importância do comércio?

Nem sempre. Principalmente numa cidade como a nossa é muito importante comprar no comercio local. Eu sei que há pessoas que, por algum comodismo, sentam-se no sofá depois de jantar, metem-se na internet, começam a ver as peças e a comprar e não vão ao comércio. Eu acho que é mais agradável chegar aqui, tocar na peça, experimentar, ver se fica bem ou se não fica, se compram online e se não gostarem do artigo ou de ser ver com ele, é uma carga de trabalhos para fazer devoluções.